Todo mundo pode ser escritor: escrita terapêutica é aliada do bem-estar emocional

No Dia Nacional do Escritor, especialista explica como escrever pode ajudar a processar emoções e melhorar a saúde mental

Neste dia 25 de julho celebramos o Dia Nacional do Escritor. A data foi criada em 1960 para homenagear os escritores do país e marcar o primeiro festival dedicado à literatura brasileira. Mais do que reconhecer a importância de quem vive da escrita, o Dia é um convite a democratizar o ato de escrever, valorizando-o não apenas como profissão, mas como uma poderosa ferramenta de cuidado emocional.

A escrita não precisa ser técnica ou publicada para ser transformadora: pode ser íntima, cotidiana, espontânea. Essa é a base da chamada escrita terapêutica, uma prática que utiliza o ato de escrever como forma de expressar e organizar emoções.

A técnica é simples e consiste em escrever livremente sobre experiências, pensamentos e sentimentos, sem julgamentos ou preocupações gramaticais. Pode ser usada individualmente, em diários, cartas não enviadas, textos espontâneos ou com o acompanhamento de um profissional, como parte de um processo psicoterapêutico.

Entre os inúmeros benefícios da prática estão a redução da ansiedade, melhora da autoestima, compreensão de padrões de comportamento e maior clareza sobre conflitos internos. "É uma forma de ressignificar experiências. A escrita funciona como um espelho: ao colocar no papel o que sentimos, conseguimos ver com mais nitidez o que antes estava confuso dentro de nós", explica a psicóloga e escritora Mônica Costa Boruchovitch.

Além dos efeitos emocionais e psicológicos, a escrita terapêutica também influencia o organismo, contribuindo para o relaxamento do corpo e a regulação do estresse. "No meu trabalho com os jovens sugiro que escrevam como forma de organizar ideias e elaborar sentimentos. Escrever ajuda a deixar mais claro o que estão vivendo, reduz a ansiedade, aumenta a autoestima e a criatividade", complementa Mônica.

A própria experiência da psicóloga com a escrita ilustra os efeitos terapêuticos dessa prática. Em seu livro Ninguém é triste o tempo todo, Mônica transformou dor em uma narrativa sensível e acolhedora sobre o luto universal. A obra reúne textos curtos que entrelaçam reflexões íntimas, partindo da própria vivência da autora com diferentes perdas para abordar o luto como uma experiência coletiva. "Escrever esse livro foi, para mim, um processo de elaboração de lutos internos. E ao organizar as emoções através da escrita e compartilhar as vivências percebi que a dor é uma ponte para a empatia e a transformação", relata a autora.

No Dia Nacional do Escritor, fica o convite: não é preciso ser poeta ou romancista para escrever. Colocar no papel o que vai na alma pode ser o primeiro passo para cuidar de si. Afinal, todo mundo pode — e deveria — ser escritor de suas próprias emoções.