Acervo de museu da imigração alemã atingido pelas enchentes no Vale do Sinos está sendo restaurado

Cerca de 143 itens do Museu Histórico Visconde de São Leopoldo serão restaurados até 2027, incluindo um piano alemão de 120 anos

As enchentes de maio de 2024 que assolaram o Rio Grande do Sul danificaram, também, parte da história e da cultura da imigração alemã. Localizado na cidade de São Leopoldo, o Museu Visconde de São Leopoldo foi fortemente atingido pelas águas. Para devolver à comunidade parte de sua memória cultural, o projeto “Restauração do acervo museológico atingido pelas enchentes em São Leopoldo”, foi idealizado para restaurar aproximadamente 143 peças danificadas.

Entre os itens, que já começaram a ser recuperados, estão o piano alemão Schiedmayer, com cerca de 120 anos, outros instrumentos musicais, peças de mobiliário, objetos de uso cotidiano e de representação simbólica, indumentária e acessórios têxteis, além de obras de arte de grande relevância, como pinturas de Pedro Weingärtner e retratos de personalidades locais, alguns elaborados a partir de fotografias.

Celebrando o lançamento oficial da iniciativa, a produtora cultural Luísa Maciel explica. “Com a enchente de 2024, parte importante da nossa memória foi comprometida. Este projeto de restauração do acervo da imigração alemã em São Leopoldo busca recuperar o que foi atingido e contribuir para que a história da comunidade siga preservada e disponível no futuro. Junto à restauração do acervo, serão realizadas ações de educação, acessibilidade e formação em conservação preventiva, além de produção audiovisual e editorial que reforçam a importância da preservação da nossa memória cultural”.

O restaurador Társis Gradaschi, da Mestres da Restauração Brasil, é responsável pela restauração dos objetos tridimensionais, (por exemplo, o piano, instrumentos musicais e peças de mobiliário) do projeto. "Como leopoldense, estou muito feliz de participar desse projeto", afirma Gradaschi, que diz se sentir gratificado de entregar os itens restaurados para a comunidade. Contudo, ele explica que a iniciativa é um grande desafio, que mobiliza uma equipe numerosa para que os objetos voltem funcionais para o museu.

Endossando a fala do restaurador, a Diretora de Relações Institucionais do MVSL, Ingrid Marxen, afirma que o projeto faz um grande bem para o espaço, já que vai recolocar as peças antigas e importantes para instituição de pé novamente, com apreço pela história e pela arte. "É uma entrega para a comunidade de São Leopoldo e para os visitantes", explica. "Esses objetos de novo em nosso Museu são uma mensagem de esperança", finaliza.

Também estão envolvidas no projeto as restauradoras Magda Villanova em peças têxteis e Ísis Fófano da Gama, da Magenta Conservação e Restauração, que trabalha na restauração das obras pictóricas (pinturas e retratos). Uma das peças emblemáticas do museu, a pintura que retrata a chegada dos imigrantes ao Vale do Sinos está sendo restaurada por Isis. A restauradora afirma que o trabalho exercido pelo projeto é uma importante contribuição para a preservação do patrimônio cultural. "O projeto é importante porque visa, também, a conservação e a projeção dessas obras em uma escala de tempo", explica Ísis.

Todo o processo será documentado e vai resultar na produção de um catálogo e de um documentário, que serão lançados no final do projeto, em 2027. Para conhecer mais sobre a iniciativa e acompanhar o andamento da restauração dos itens do Museu Histórico Visconde de São Leopoldo, basta acessar o perfil do projeto no Instagram.

O projeto “Restauração do acervo museológico atingido pelas enchentes em São Leopoldo” é realizado por Luísa Maciel e Ministério da Cultura/Governo Federal, com patrocínio de Zaffari, por meio da Lei Rouanet e com recursos da Política Nacional Aldir Blanc, via Pró-Cultura RS.